Por: TANIAMÁ VIEIRA DA SILVA BARRETO
(Cadeira 01 da ALAM, cad 03 da ACJUS, cad 08 da AMOL, cad 12 da AFLAM, cad 57 do CONINTER)
Na terra onde o sol arde mais forte que o esquecimento, há nomes que resistem ao silenciamento da História. Um desses nomes é Tereza. Não a santa, nem a noviça, mas a mulher que empunhou ideias como lanças e fez da liberdade o seu quilombo.
Tereza de Benguela não nasceu em berço de seda, mas reinou com a firmeza de quem entendeu cedo que a vida das mulheres negras nunca foi feita de concessões. Líder do Quilombo do Quariterê no século XVIII, comandou não só a resistência armada contra a escravidão, mas uma sociedade inteira – com parlamento, defesa e comércio – sob seus olhos atentos e sua voz firme. Rainha, sim, embora sem coroa. E, como todas as rainhas que pisaram esse chão, sobreviveu mais por coragem do que por sorte.
Hoje, tantas Terezas caminham entre nós. Mulheres negras que erguem filhos, levantam comunidades, ocupam espaços acadêmicos e políticos, dançam no asfalto quente das periferias e leem o mundo com olhar de quem já viveu todos os séculos. Elas são filhas da escravidão, do apagamento, do preconceito. Mas também são netas da resistência, do saber ancestral, da beleza que sobrevive ao aço.
Cada 25 de julho – Dia de Tereza, Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha – é um grito que ecoa: nós somos porque outras foram.
E a História, que tantas vezes tentou calar, agora escreve com mãos negras, em letras que não se apagam: meu nome é luta; é resistência.
Prof.a Enf.a Dra. TANIAMÁ VIEIRA DA SILVA BARRETO (Taniamá Barreto). Professora titular aposentada da UERN é autora de vários livros de poesias, crônicas e técnico-científicos. É sócia fundadora das seguintes academias: Academia de Letras e Artes de Martins (ALAM), ocupante da Cadeira 01 (atual presidente; Academia Feminina de Letras e Artes de Mossoró (AFLAM), ocupante da Cadeira 12 e Academia de Ciências Jurídicas e Sociais (ACJUS), ocupante da Cadeira 03. É Titular da Cadeira 08 da Academia Mossoroense de Letras (AMOL) e Patronímica da Cadeira 57 do Conselho Internacional de Letras e Artes (CONINTER). Integra o Instituto Cultural do Oeste Potiguar (ICOP), a Sociedade Brasileira de Estudo do Cangaço (SBEC), o Museu do Sertão, a Associação Literária e Artística de Mulheres Potiguares (ALAMP) e a Associação dos Escritores Mossoroenses (ASCRIM), além de Sócia Correspondente da Academia de Letras de Apodi (AAPOL).
