Entrevista

Conversa da Semana com Roberto Pereira

Os comerciários que atuam nas lojas do Partage Shopping Mossoró foram surpreendidos, nos últimos dias, com o anúncio feito pela direção do conglomerado de que vai cobrar estacionamento também desses trabalhadores. A medida vem sendo repudiada pela categoria que, por meio de sua entidade representativa, vem adotado as medidas para evitar que a ameaça se concretize. Outras dificuldades também tem sido enfrentadas por esses trabalhadores, conforme revela, na entrevista a seguir, o presidente do Sindicato dos Empregados no Comercio de Mossoró (SECOM), Carlos Roberto Pereira de Sousa. Vendedor atuando há mais de 25 anos na Queiroz e Filhos, Roberto Pereira assumiu a missão de presidir a entidade e fala que nessa pandemia encontrou dificuldades inclusive de denunciar as empresas que não tem cumprido as regras determinadas nos protocolos de biossegurança. Veja na íntegra a Conversa da Semana.

Por Márcio Alexandre

PORTAL DO RN – Como os trabalhadores do Partage Shopping receberam essa decisão da direção de cobrar pelo estacionamento?

ROBERTO PEREIRA – Foi recebida com bastante indignação. Os trabalhadores estão todos revoltados com essa atitude do shopping por cobrar estacionamento deles que vão para lá todos os dias para trabalhar, para dar seu suor, para dar o seu melhor para manter o shopping funcionando.

PRN – A cobrança está sendo executada, como está a situação?

RP – Nós ainda não temos a confirmação dessa cobrança, porque como a direção do shopping disse que seria mensal, então até momento ainda não temos essa certeza se já está sendo cobrado, mas já estamos tomando as medidas legais e cabíveis para que isso não aconteça.

PRN – Qual o salário médio dos trabalhadores do Partage? Justifica que tenham que pagar para trabalhar?

RP – Grande parte deles ganha apenas o salário do comércio (R$ 1.100,00), e não há nada que justifique cobrar dos trabalhadores e trabalhadoras uma taxa de estacionamento para quem vai trabalhar naquele local. O que deveria acontecer era o Partage reconhecer o esforço e o trabalho de cada trabalhador e trabalhadora que no dia a dia é quem constrói esse shopping.

Existe já uma causa judicial, e eles não podem cobrar.

PRN – A vereadora Marleide Cunha (PT) vem manifestou contra a medida. Vocês receberam mais algum outro apoio?

RP – A companheira Marleide, como sempre, mostra-se fiel à luta da classe trabalhadora. Lembro ainda que a luta não é apenas de nós comerciários, mas também do Sindicato Hoteleiro, que também tem essa categoria lá e que vem sofrendo essa mesma injustiça. Anos atrás o shopping adotou essa mesma medida. Fizemos um protesto, nos reunimos com o Ministério Público, que entrou com uma ação contra o shopping, que recorreu e perdeu. Então, existe já uma causa judicial, e eles não podem cobrar. Estamos tomando as medidas necessárias para que os direitos dos trabalhadores sejam respeitados.

PRN – O comércio lojista foi um dos setores que menos fechou nesse período. Como está a situação dos trabalhadores em relação à pandemia? Os patrões adotaram medidas de proteção?

RP – Quando saiu o decreto dizendo que o comércio tinha que ser fechado, logo em seguida também veio a pressão do setor econômico para reabrir geral. Nós, como entidade sindical, nos posicionamos em contrário por entender que a vida deve ser colocada em primeiro lugar. Nesse momento em que o comércio ficou aberto, foram registradas muitas aglomerações e muitas dificuldades nas denúncias, pois se a gente ia à prefeitura, a prefeitura dizia que era com o Procon. Se a gente ia ao Procon, o Procon dizia que era com a prefeitura. Isso fez com que houvesse muita dificuldade em se punir as empresas infratoras.

PRN – Vocês tem monitorado os casos de covid entre esses trabalhadores? Como está a incidência doença no setor?

RP – Nós sabemos dos casos citados pelos trabalhadores e trabalhadoras e são vários os casos que tem atingido à categoria comerciária, diretamente, inclusive com vários empregados que tiveram covid na própria empresa. A Secretaria Municipal de Saúde tem essa informação e deveria divulgar para os trabalhadores e para toda a população. Sabemos que tem lojas que não tem o controle em determinado momento e as pessoas se aglomeram devido ao espaço pequeno da loja. Faltam essas informações e fiscalização por parte da prefeitura. Nós como entidade sindical fazemos a vistoria, passamos nas lojas, verificamos que há aglomeração, notificamos a prefeitura através de ofício e pedimos que haja mais fiscalização.

O primeiro de maio sempre foi um dia de luta e de luto contra as barbáries do capitalismo e os crimes da burguesia contra a classe trabalhadora, que foi sempre perseguida.

PRN –  O Secom representava também os trabalhadores do supermercados, até a criação do SINDISUPER. Quais os ganhos para a classe trabalhadora?

RP – Hoje, os trabalhadores de supermercados tem o seu próprio sindicato, que é o SINDISUPER, e que tem como presidente o companheiro José Rodrigues. Eles tem lutado muito por sua categoria. Diante da pandemia e da conjuntura que enfrentamos, mantendo seus direitos assegurados devido às dificuldades, organização de classe, onde os setores econômicos tentam a todo tempo destruir esses direitos, nesse momento em que vivemos, então o sindicato, o SINDISUPER é um sindicato de luta, que combate, que está sempre na ativa. Então só teve ganhos para as categorias.

PRN – O Secom é um dos sindicatos mais presentes nas manifestações do primeiro de maio. Como estão a articulações para esse ano?

RP – O primeiro de maio sempre foi um dia de luta e de luto contra as barbáries do capitalismo e os crimes da burguesia contra a classe trabalhadora, que foi sempre perseguida. Nós estivemos sempre presentes na construção desse importante dia, não como um dia de festa, mas como um dia para denunciar todo tipo de injustiça contra a classe trabalhadora. De dizer que o sistema capitalista continua cruel e selvagem, e diante de milhares de vidas perdidas mostra que não serve de modelo para a sociedade e para a humanidade. O movimento sindical e social ainda está discutindo a forma de construção frente à pandemia, de denunciar um governo acusado de ser responsável por milhares de mortes que poderiam ter sido evitadas, seus projetos e de ataques às políticas públicas, de cortes nos recursos da saúde, na educação e ao Sus – o qual tentou destruir de várias formas – o que poderia ser pior ainda.

PRN – Suas palavras finais.

RP – Gostaria de dizer à categoria comerciária e a toda a classe trabalhadora que com a ajuda de Deus tudo vai passar. O mais importante é encontrarmos formas de nos organizar, de manter a consciência de luta e de classe, para juntos enfrentarmos todos os desafios aprofundado com essa pandemia, com esse momento tão difícil o qual nós estamos passando. Dizer que a luta continua e que juntos nós somos mais fortes.

 

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