Entrevista

Conversa da Semana com Jadson Arnaud

Há poucos meses à frente da Décima Segunda Diretoria Regional de Educação e Cultura (XII DIREC) em Mossoró, o professor Jadson Arnaud tem buscado, com muita disposição, diálogo e criatividade, enfrentar as dificuldade de assumir um órgão da educação, setor historicamente marcado pelo descaso dos governantes. Nessa entrevista, Jadson fala como tem sido esse desafio, as dificuldades mais marcantes, os projetos mais entusiasmadores e ações mais promissoras. Fala em especial das razões que motivaram a mudança da sede da DIREC, das condições estruturais das escolas e do apoio que a Secretaria Estadual de Educação e Cultura (SEEC) e o Governo do Estado tem lhe ofertado para que sua gestão possa alcançar os objetivos traçados.

Por Márcio Alexandre

PORTAL DO RN – Nos fale de como encontrou a Décima Segunda Direc em termos gerais de infraestrutura, pessoal e material.

JADSON ARNAUD – Nós encontramos as instalações físicas da Décima Segunda DIREC em condições muito precárias. Primeiro que existia recomendação do Ministério Público e do Corpo de Bombeiros para a desocupação imediata daquele prédio uma vez que pelas instalações, principalmente elétricas e hidráulicas, havia risco. Então os servidores e as pessoas que frequentavam aquele prédio estavam correndo risco de vida. Então, a situação do prédio antigo, por sinal muito caro, pois o governo pagava aluguel mensal de R$ 7.500,00, sem condições mínimas de funcionamento e de atendimento à população. As questões de segurança realmente eram uma preocupação para a gente. Além disso, não tinha acessibilidade, não tinham equipamentos de segurança de combate a incêndios, sem estacionamento, imóvel situado numa esquina muito movimentada, inclusive professores e funcionários foram multados porque estacionavam os carros para resolver uma situação e acabavam multados. Enfim, a situação era insustentável se manter naquele prédio e por esses motivos nós resolvemos mudar. Nós colocamos isso como meta, pela questão da segurança, mesmo considerando a situação de calamidade financeira que o Estado passa, com poucos recursos, nós conseguimos, através da sensibilidade do secretário Getúlio Marques (da Educação) e de todo o gabinete, professora Márcia, professor Lael, professora Socorro Batista, a Core e a Codesf, todos foram muito sensíveis para que nós criássemos as condições de procurar um espaço para sair dali. Esse espaço que nó encontramos foi a Escola Jerônimo Rosado, mais conhecida como escola estadual, colégio que tem muita história, muita tradição, uma estrutura muito boa, uma estrutura arquitetônica belíssima. Fizemos algumas adequações em 5 grandes salas, na segunda rampa da escola, que estava desocupada. A gente conseguiu com poucos recursos fazer algumas adequações e estamos em um espaço com acessibilidade, com estacionamento, com as instalações hidráulicas e elétricas em boas condições, inclusive com banheiros com acessibilidade. Acho que esse momento histórico é mito importante para a educação do Rio Grande do Norte, particularmente para Mossoró e região. E é muito simbólico que a XII DIREC esteja instalada hoje no Jerônimo Rosado porque os educadores conhecem a história daquela escola e sabem a importância dela no contexto da educação do Estado do Rio Grande do Norte.

PRN – Então a saída do prédio da DIREC foi por questão de segurança?

JA – Tomamos a decisão de sair do antigo prédio da DIREC pelas condições que nós já colocamos. É um local insalubre, com instalações elétricas e hidráulicas muito comprometidas, o que colocava em risco eminente a saúde e a vida de todos e todas, técnicos, profissionais da educação e sociedade em geral. Prédio muito antigo, sem acessibilidade,m sem estrutura de combate a incêndio, sem estacionamento. E um prédio alugado, com o Estado tendo que pagar todo mês 7.500 reais. Uma situação dessas não poderia perdurar. E a gente fez todo esforço pra sair e encontramos uma solução.

PRN – O que compreende a XII DIREC em termos de quantidade de escolas, profissionais, alunos e municípios?

JA –  Hoje a XII DIREC compreende 8 cidades. Além de Mossoró, temos abrangência em Tibau, Grosso, Baraúnas, Serra do Mel, Governador, Upanema e Areia Branca. Essa é área correspondente à jurisdição da XII DIREC, com 71 escolas, 53 em Mossoró. Nós temos 40 mil matrículas de alunos, crianças e adolescentes do Ensino Fundamental I e II e Ensino Médio de tempo integral em 4 escola. Temos ainda a Educação de Jovens e Adultos (EJA), ensino prisional, temos ensino técnico-profissionalizante do campo, recentemente implantado pelo Governo do Estado. Nós temos 1.700 profissionais da educação atuando.

Nós encontramos a estrutura das escolas muito precária.

PRN – Quais são as grandes dificuldades encontradas hoje para que o trabalho da XII DIREC alcance os objetos traçados por ela?

JA – Temo ainda algumas dificuldades na jurisdição da XII DIREC. Nós encontramos a estrutura das escolas muito precária. Tem décadas que não passam por reformas. Temos escolas das décadas de 60, 70 e 80  que não passaram por grandes reformas, apenas pequenos reparos e ajustes, com muito pouco dinheiro que os gestores tem, conseguem fazer, mas em nível de execução de grandes reformas e obras no Estado somente vem acontecendo do ano passado para esse ano, e esse ano se intensificou. Temos várias escolas sendo reformadas no Rio Grande do Norte, ainda dando continuidade ao projeto em parceria com o Banco Mundial. A nível de Estado temos 40 escolas sendo reformadas e em nível de XII DIREC terminamos reformas em 10 escolas e retomamos em outras, como na Escola Estadual Dix-sept Rosado; iniciaremos também a reforma na Escola Gilberto Rola, na Maisa; Coronel Solon, em Grossos; também em Governador Dix-sept Rosado temos escola que será reformada; em Upanema também. O fato é que em termos de estrutura precisamos avançar muito e dotá-las de estrutura mínima de funcionamento e prestação de um bom ensino. Avançamos muito na questão do transporte escolar, em melhorar a qualidade, em melhorar o atendimento aos alunos das comunidades rurais. Nós iniciamos o ano com muitas dificuldades, mas fazendo gestões nós conseguimos um novo contato com novas oficinas e estamos em um processo bem melhor de transporte escolar. Nós temos algumas dificuldades, que são históricas, por décadas a educação não foi priorizada, mas que a gente está aos poucos superando-as.

PRN – E em termos de déficit de professores, qual a situação?

JA – Em relação a professores nós temos ainda algumas lacunas, precisamos avançar ainda na eficiência na questão de convocar professores. Foi feito processo seletivo recente e nós estamos aguardando até a próxima semana a chamada de vários professores para preencher essas lacunas e também de professores efetivos até o final do ano, o governo estará convocando também.

PRN – Sua gestão tem se notabilizado por sair do gabinete? É muito comum vê-lo nas escolas. O que essa postura traz de positivo para as escolas?

JA – Sim. Primeiro que nossa gestão é pautada no diálogo, de escutarmos muito os profissionais da educação, os gestores, os alunos, de ouvirmos a comunidade escolar como um todo, para a gente buscar juntos as saídas e as soluções. Nesse sentido, tinha que sair do gabinete e ir para o chão da escola. Não temos nenhuma dificuldade em visitar as escolas. Aliás eu visitei todas as 71 escolas da nossa jurisdição. Várias escolas visitei, 4 5 vezes, buscando se aproximar da gestão da escola, dos alunos para a gente tentar solucionar e resolver os problemas. Mas não é só problemas. Também buscamos mostrar o que tem de bom na escola pública. Participei de muitos eventos que envolvem o ensino, a pequisa, as atividades artísticas produzidas na escola como também em várias situações nós trouxemos a escola para mostrar em praça pública, nas ruas, os seus projetos, suas atividades, as suas produções. Nós temos um projeto intitulado XII DIREC na Viva a Rio Branco que é trazer aos domingos uma série de escolas com suas atividades, suas produções na área de ensino e pesquisa  para mostrar a sociedade,  aproximar a sociedade da escola, saindo tudo isso dos muros da escola e vindo para a rua, para a praça, para que a população possa perceber e ver o que se produz na escolas. Então nossa gestão uma das marcas é sair do gabinete e ir para as escolas. Ir para as ruas.

PRN – Nessas suas visitas, quais os problemas mais comuns e como tem sido encaminhada a solução deles?

JA – Os problemas mais comuns aos chegar nas escolas, que nós temos encontrado, são essa questão da infraestrutura que vez por outra os gestores necessitam que a gente dê aquele suporte, aquele apoio junto ao secretário de educação, ao subsecretário Lael, que é o responsável pela infraestrutura das escolas, e a gente orientado no sentido de buscar algum recursos, buscar condições para que a gente resolva os problemas nas escolas, então, esse é um dos problemas. O outro é a falta de professores. Os docentes tem seus justos direitos assegurados, como as licenças-prêmios, aposentadorias, e isso vai deixando lacunas e a gente constantemente tem que fazer gestão no sentido de o Estado convocar novos professores, assegurar aulas suplementares, realizar processos seletivos, para que não fiquem essas lacunas. Então essas são as grandes dificuldades e a gente, aos poucos com paciência e muito diálogo, tem superado.

PRN – O RN tem um dos mais baixos índices nas avaliações externas de Língua Portuguesa e Matemática. Isso é resultado do histórico descaso com a educação. Quais as perspectivas agora tendo uma professora como governadora?

JA – De fato, esses índices que aferem a qualidade da educação não são animadores, na realidade são muito baixos. Principalmente na área de Matemática e Língua Portuguesa. O governo tem consciência disso, a Secretaria da Educação tem consciência disso, que é necessário a gente travar uma batalha pra melhorar esses índices e a gente tem planejado muito, pensado muito em como fazer isso. As nossas ações, no campo da educação do Rio Grande do Norte, até aqui particularmente na XII DIREC estão todas voltadas para a gente superar esses baixos índices da educação pública do Estado do Rio Grande do Norte. A gente está perseguindo isso e tem planejado todos os programas que a gente tem no sentido de superar esses baixos índices que o Rio Grande do Norte ocupa no cenário nacional em relação à aprendizagem dos alunos.

O Governo do Estado e a Secretaria da Educação, em que pese toda a dificuldade financeira e fiscal do Estado, tem como foco central e, de maneira inequívoca, melhorar a educação pública do Rio Grande do Norte.

PRN – Como tem sido o respaldo do governo, em especial da Secretaria Estadual da Educação, às propostas apresentadas pela XII DIREC e à sua maneira de gerir?

JA – O Governo do Estado e a Secretaria da Educação, em que pese toda a dificuldade financeira e fiscal do Estado, tem como foco central e, de maneira inequívoca, melhorar a educação pública do Rio Grande do Norte. E as próprias ações do governo estadual são nesse sentido, até porque nós historicamente sempre defendemos as pautas e as bandeiras da educação pública, de qualidade, inclusiva, democrática, popular, e a gente tem perseguido isso. Repito, em que pesem as dificuldades financeiras e fiscais do Estado que nós encontramos, nós temos dedicado todos os esforços nesse sentido e a Secretaria da Educação, o professor Getúlio Marques, e toda a equipe, e a governadora Fátima tem dado todo o apoio para que possamos melhorar a educação pública em nossa jurisdição.

PRN – Quais são as ações e projetos desenvolvidos pela XII DIREC atualmente?

JA – Nós temos vários projetos sendo desenvolvidos. São projetos que já existiam e outros que foram criados e a gente repercute, e nós da XII DIREC temos nossos projetos. Projetos implementados e pensados por todo nosso corpo técnico e pedagógico. Exemplo disso é uma boa parceira com os comandos miliares com o projeto Paz nas Escolas, que tem aproximado  jito a polícia dos cidadãos, na escola, na comunidade escolar dando aquele respaldo, aquele apoio não só de forma ostensiva, mas muito mais estabelecendo aquela empatia com os alunos, com a comunidade escolar, com todos, oferecendo o apoio em palestras sobre juventude, sobre drogas, violência, suicídio, bullying. Estamos fortalecendo o PROERD nas várias escolas em Mossoró, o Ronda Escolar é uma realidade, projeto fantástico que tem diminuído sensivelmente a violência, o bullying e o consumo de drogas e o bullying nas escolas. Temos o Projeto a DIREC na Viva a Rio Branco que é trazer toda a produção artística, de ensino, cultural das escolas para a Rio Branco, no domingo, e mostrar para toda a comunidade escolar, para todos os mossoroenses. Temos um projeto em parceira com  UERN (Universidade do Estado do Rio Grande do Norte), o cursinho Emancipa, oferecendo cursinho gratuitamente para alunos da rede pública estadual de ensino. Todos os sábados de 7h das manhã às 17h, com aulas com vários professores da rede estadual de ensino, voluntários, e alunos da UERN, com intérpretes de Libras para alunos surdos, que a gente oferece. Oferecemos 6 rotas de ônibus escolares, gratuitamente para os alunos ir e vir para o cursinho. Temos a parceria com a UERN no Emancipa, com apoio total da Secretaria de Educação, atendendo mais de 1.200 alunos da rede estadual de educação. E a gente tem outras ações em parcerias com as escolas, com as universidades privadas, com o instituto federal, enfim a gente tem feito muitas parcerias e desenvolvido muitos projetos em que pese as dificuldades que a gente tem encontrado.

PRN – A educação de tempo integral está presente em quantas escolas sob jurisdição da XII DIREC e o que ela tem trazido de resultados?

JA – O Ensino Médio integral é uma realidade em nossa jurisdição. Nós temos 4 escolas de Ensino Médio em ensino integral e uma de ensino fundamental. Uma modalidade de ensino que o governo do Estado e a Secretaria da Educação tem reforçado, aliado ao ensino profissionalizante, e tem como meta, em 4 anos, chegar a 50% de todas as escolas de ensino médio em tempo integral. Então é uma realidade. A gestão tem gestões de escolas e profissionais da educação muito comprometidos e a gente está avançando muito.

PRN – Fique à vontade para suas considerações.

JA – Para finalizar, dizer que nós temos consciência da nossa missão, do tamanho do trabalho que a gente tem pela frente e das dificuldades que tem enfrentado e enfrenta, e eu quero dizer que a gente está trabalhando muito, e trabalhando de forma coletiva. A gestão da DIREC não seria nada se nós não tivéssemos um apoio da Secretaria da Educação, do Governo do Estado e não tivéssemos o apoio dos técnicos da DIREC a quem eu aproveito para abraçar e agradecer por tudo que tem feito pela educação pública estadual. Principalmente temos gestores de escolas e profissionais da educação muito comprometidos com a educação. Em meio tantas dificuldades, a gente tem superado muitas dificuldades, tem enfrentado. Óbvio que a gente precisa avançar muito e a gente está perseguindo esse avanço, essa melhoria  que é necessária para que a sociedade possa usufruir do avanço da educação, da cidadania, das conquistas. Um abraço a todos os profissionais da educação e obrigado pela entrevista.

 

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