Por: TANIAMÁ VIEIRA DA SILVA BARRETO
(cadeira 12 da AFLAM)
Era uma vez uma nau ancorada bem no meio da sala de estar. Quem passasse distraído talvez a confundisse com um sofá velho e encardido, daqueles que guardam memórias no tecido gasto. Mas não se deixe enganar: era ali que a capitã Maria Alice, de sete anos, zarpava todas as tardes rumo a oceanos invisíveis.
Na proa da nau, um travesseiro servia de timão, e uma colher de pau era o sabre que enfrentava monstros marinhos com nomes impronunciáveis. O tapete da sala — vasto e felpudo como algas — escondia perigos insondáveis: desde polvos gigantes a baús encantados cheios de figurinhas premiadas.
Ninguém via, mas toda quarta-feira, logo após o lanche, a nau cruzava o Estreito do Armário até aportar nas Ilhas do Quarto dos Fundos, onde morava um sábio dragão que oferecia conselhos em troca de biscoitos recheados.
O curioso dessa embarcação é que ela não precisava de ventos para velejar, nem de mapas para se orientar. Bastava a capitã fechar os olhos e abrir o coração — a imaginação fazia o resto.
Quando cresceu, Maria Alice substituiu o sabre por uma caneta e os mares por palavras. Mas a nau, essa continuava lá — invisível, discreta, ancorada na memória, pronta para zarpar a qualquer momento em busca de aventuras que só existem dentro de quem nunca deixou de brincar.
Busquemos nossa nau com velas ao vento e preparemo-nos para uma viagem fantasiosa de criação de contos, fábulas e poesias.
Prof.a Enf.a Dra. TANIAMÁ VIEIRA DA SILVA BARRETO (Taniamá Barreto). Professora titular aposentada da UERN é autora de vários livros de poesias, crônicas e técnico-científicos. É sócia fundadora das seguintes academias: Academia de Letras e Artes de Martins (ALAM), ocupante da Cadeira 01 (atual presidente; Academia Feminina de Letras e Artes de Mossoró (AFLAM), ocupante da Cadeira 12 e Academia de Ciências Jurídicas e Sociais (ACJUS), ocupante da Cadeira 03. É Titular da Cadeira 08 da Academia Mossoroense de Letras (AMOL) e Patronímica da Cadeira 57 do Conselho Internacional de Letras e Artes (CONINTER). Integra o Instituto Cultural do Oeste Potiguar (ICOP), a Sociedade Brasileira de Estudo do Cangaço (SBEC), o Museu do Sertão, a Associação Literária e Artística de Mulheres Potiguares (ALAMP) e a Associação dos Escritores Mossoroenses (ASCRIM), além de Sócia Correspondente da Academia de Letras de Apodi (AAPOL).
