“Grito dos Privilegiados”

Juízes, desembargadores e MP fazem caravana para manter privilégios

O “grito dos privilegiados” reúne caravanas de todo o país, articuladas pelas entidades representativas do Judiciário e do Ministério Público. Algumas delas vão custear as viagens de seus associados.

Juízes, desembargadores, procuradores e promotores de Justiça prometem invadir Brasília, nesta quinta-feira (1/2), em defesa de seus “direitos e garantias” e em nome da “autonomia” da categoria. Trocando em miúdos: vão manifestar o descontentamento com projetos em tramitação no Congresso Nacional que impõem limites aos salários acima do teto constitucional e desvinculam a remuneração dos agentes públicos, além da Reforma da Previdência e a discussão judicial que pode acabar com o auxílio-moradia mensal de R$ 4.373,77.

O “grito dos privilegiados” reúne caravanas de todo o país, articuladas pelas entidades representativas do Judiciário e do Ministério Público. Algumas delas vão custear as viagens de seus associados, como, por exemplo, a Associação dos Magistrados Mineiros (Amagis). O sorteio para definição dos participantes foi realizado no último dia 23 e os sete agraciados terão passagens aéreas de ida e volta custeadas pela entidade. A Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) vai ajudar a pagar a viagem de 100 juízes.

A manifestação será feita em meio aos questionamentos no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o pagamento de auxílio-moradia aos magistrados. Atualmente, integrantes do Judiciário e do Ministério Público recebem R$ 4.377,73 mensais para custear gastos com moradia, sem desconto de Imposto de Renda e independentemente de ter casa própria no local onde trabalham.

A presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, informou que deve pautar em março o julgamento que definirá as regras para o pagamento do benefício. Liminar concedida pelo ministro Luiz Fux, em 2014, estendeu o penduricalho a todos os magistrados brasileiros. Relator do processo, ele liberou o caso para análise do plenário.

Como se não bastasse o risco de perder o benefício, a categoria ainda se vê às voltas com a possibilidade de pagar o Imposto de Renda sobre o dinheiro. Em novembro do ano passado, associações de magistrados foram avisadas de que a Receita Federal estuda mecanismos para taxar o auxílio-moradia, com exceção de quem comprovar efetivamente que gasta a verba para morar.

Em uma espécie de operação pente-fino, a Receita Federal vai lançar na malha fina as declarações de rendimentos de todos aqueles que receberam o auxílio em 2015. O contribuinte será então intimado para fazer a retificação do IR ou pagar o imposto. Em reunião em Brasília, entidades de magistrados definiram pela contratação de pareceristas para subsidiar as negociações com a Receita.

CORPO A CORPO NO LEGISLATIVO 

A batalha pelos privilégios envolve ainda o Poder Legislativo. Um dos projetos rechaçados pela categoria é o PLS 6.726/16, ou “Projeto Extrateto”, que impede que adicionais incorporados ao salário elevem a remuneração dos servidores a valores acima do teto constitucional, atualmente de R$ 33.763, que é o subsídio pago aos ministros do STF. Somados benefícios e vantagens pessoais, os contracheques apresentam valores muito maiores que o permitido pela Constituição.

Outro projeto na mira da manifestação é a PEC 62/15, que desvincula os salários entre os agentes públicos e criou uma comissão especial no Senado para discutir os chamados “supersalários”.

O ato da próxima quinta-feira é capitaneado pela Frente de Mobilização da Magistratura e do Ministério Público (Frentas). Um debate será realizado às 14h no auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados. De lá, os presidentes de associações estaduais e da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) vão até o STF para encontro com a ministra Cármen Lúcia, quando entregarão um documento com os pleitos das duas carreiras. O argumento é que as propostas em tramitação no Congresso vão enfraquecer as carreiras judiciárias e ameaçar a integridade de magistrados e membros do MP.

PRIORIDADES

O que querem os magistrados e os integrantes do MP

Garantia do auxílio-moradia mensal de R$ 4.377,73, independentemente de ter casa própria e sem sofrer qualquer desconto de Imposto de Renda ou previdenciário.

Garantia do auxílio-saúde equivalente a 10% do subsídio, valor que varia de R$ 2.612,51 a R$ 3.047,11.

Rejeição aos seguintes projetos em tramitação no Congresso:

PEC 62/15
Veda a vinculação remuneratória automática entre subsídios de agentes públicos

PLS 6.726/16
Impõe limites aos salários acima do teto constitucional para os servidores dos três poderes

PEC 287/16
Reforma da Previdência

Do EM

 

Notícias semelhantes
Comentários
Loading...
Page Reader Press Enter to Read Page Content Out Loud Press Enter to Pause or Restart Reading Page Content Out Loud Press Enter to Stop Reading Page Content Out Loud Screen Reader Support