Operação prende suspeitos de sequestrar operador de criptomoedas
Uma das prisões ocorreu em Natal, no Rio Grande do Norte
Uma operação do Ministério Público (MP) e da Polícia Civil de São Paulo prendeu nesta terça-feira (7) quatro suspeitos de participar do sequestro de um operador de criptomoedas ligado a uma disputa de R$ 70,8 milhões.
Outros quatro criminosos já tinham sido presos pelas autoridades em fevereiro do ano passado, quando abordaram a vítima no Shopping Cidade Jardim, na Zona Sul da capital paulista, e a levaram para um cativeiro num sítio em Santa Isabel, na Grande São Paulo.
A ação desta terça, chamada de “Criptonita” é um desdobramento das investigações que identificaram mais envolvidos no crime de sequestro e extorsão contra o operador de criptomoedas.
Em 2025, o homem foi agredido e ameaçado pelos criminosos. De acordo com a investigação, um dos suspeitos procurou o operador para fazer uma transação de criptoativos, que acabou não sendo realizada. Ainda segundo as autoridades, os bandidos queriam lavar dinheiro com a negociação.
O 34º Distrito Policial (DP), no Morumbi, na Zona Sul da capital paulista, apurou que parte do dinheiro investido e depois cobrado pela quadrilha vinha do furto de R$ 146 milhões contra um banco. O valor foi bloqueado por instituições financeiras, o que motivou a ação violenta do grupo contra o operador.
Os bandidos que sequestraram a vítima estavam cobraram dela o pagamento do dinheiro. Parte do grupo foi presa no ano passado, quando o homem acabou libertado pela polícia.
Prisão em Natal
Dos cinco mandados de prisões temporárias decretados pela Justiça, quatro foram cumpridos até a última atualização desta reportagem. Entre os presos está um guarda civil municipal de Indaiatuba, no interior paulista.
Outra prisão ocorreu em Natal, capital do Rio Grande do Norte.
A polícia e o MP pediram as prisões dos alvos por 30 dias por entender que são medidas necessárias para a continuidade das investigações. Os nomes dos presos não foram divulgados.
As ações ocorrem na capital paulista, Grande São Paulo, e regiões de Campinas e Sorocaba, ambas no interior do estado, segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP).
Ao todo, 54 policiais civis foram mobilizados, incluindo equipes especializadas do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra) e do Grupo Especial de Reação (GER), da Polícia Civil. Também participam agentes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público.
Veículos de luxo
Há ainda outros 13 mandados de busca e apreensão para serem cumpridos nos endereços dos investigados.
Foram apreendidos três veículos esportivos de luxo: um carro Porsche, uma picape Nissan Frontier e uma moto Kawasaki. Também foram recolhidos celulares, notebook e máquina de contar dinheiro.
O poder judiciário ainda autorizou a quebra do sigilo de mensagens telefônicas para identificar a estrutura completa da organização.
Os criminosos simularam a venda de um site de apostas para justificar as transferências e coagiram o operador a fornecer senhas bancárias e de seus aparelhos celulares. De acordo com a investigação, os suspeitos mencionaram ligações com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
Informações obtidas nos celulares apreendidos revelam o planejamento prévio do crime, incluindo mensagens sobre o monitoramento do corretor.
A troca de mensagens detalha o uso de veículos de luxo e o ajuste para “dar um pau” na vítima. O chefe do grupo já foi alvo de operações da Polícia Federal (PF) e do CyberGaeco do MP por fraudes eletrônicas semelhantes.
G1
