O prefeito de Ielmo Marinho, Fernando de Canto de Moça (MDB), foi solto nesta quinta-feira (29) em audiência de custódia, um dia após ter sido preso em flagrante durante uma operação realizada pela Polícia Civil do Rio Grande do Norte no município da Região Metropolitana de Natal.
Segundo a Polícia Civil, Fernando Batista Damasceno foi detido por embaraço à investigação e ocultação de provas ao tentar se desfazer de dinheiro e um celular durante o cumprimento de buscas contra ele — R$ 60 mil foram apreendidos.
A operação investiga porte ilegal de arma de fogo, constituição de milícia privada e organização criminosa na região. A polícia aponta o prefeito como líder da organização criminosa.
A esposa do prefeito também havia sido presa na operação e também foi solta na audiência de custódia desta quinta. Ela também era acusada de atos de destruição e ocultação de provas.
De acordo com o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, foi concedida liberdade provisória ao casal com aplicação de algumas medidas cautelares, como:
- comparecimento mensal em juízo para informarem e justificarem as suas atividades;
- proibição de ocultarem, destruírem, alienarem ou darem qualquer destinação a bens, documentos ou valores que guardem relação com os fatos sob apuração
- fazerem o recolhimento domiciliar noturno;
- obrigação de comunicarem previamente eventual mudança de endereço.
A audiência de custódia foi realizada pela segunda instância da Justiça potiguar em virtude da prerrogativa de foro do prefeito (foro privilegiado).
Operação prendeu prefeito
A prisão do prefeito aconteceu na Operação Securitas, deflagrada para cumprir mandados judiciais de busca e apreensão dentro de uma investigação que apura a prática de porte ilegal de arma de fogo, constituição de milícia privada e organização criminosa.
Em nota, a assessoria informou que o prefeito recebeu com surpresa a diligência na própria casa e que vai colaborar com as autoridades para esclarecer o caso.
A polícia ainda confirmou que um vereador e um policial militar também são investigados.
O vereador é João Batista Garcia da Silva, conhecido como Joãozinho Garcia (Republicanos). A Polícia Civil considera que ele atuava junto ao prefeito na organização criminosa.
Joãozinho era Secretário de Esporte e Lazer e suplente de vereador, mas vai ser diplomado para assumir uma das vagas na Câmara Municipal, por causa de um processo que causou a cassação de dois parlamentares.
Ao todo, sete mandados foram cumpridos nas cidades de Ielmo Marinho, São Gonçalo do Amarante, Natal e Parnamirim.
O que disse o prefeito
Em nota, a assessoria do prefeito Fernando de Canto de Moça informou que o gestor recebeu com surpresa a diligência judicial realizada em sua residência. Segundo a assessoria, os fatos em apuração são de 2023, período anterior ao mandato eletivo iniciado em 2025, “não guardando qualquer relação com a atual administração municipal’.
“O prefeito reafirma sua total disposição em colaborar com as autoridades para o esclarecimento célere do caso. A defesa técnica aguarda o acesso integral aos autos para adotar as medidas judiciais cabíveis e garantir o restabelecimento da verdade real”, informou a nota.
A assessoria informou ainda que o prefeito reitera sua confiança nas instituições e na Justiça, e que a agenda administrativa e os trabalhos municipais seguem mantidos.
Já o vereador Joãozinho Batista disse que não se pronunciaria sobre a operação.
g1 RN
