CRÔNICA

MANOELITO E JOÃO LOURINHO

Lá pela década de 1950, quem precisasse ou quisesse, em Mossoró e possivelmente até na região mais próxima, fazer uma foto, ou como se dizia, tirar um retrato, quase não tinha opção além dos dois fotógrafos mais conhecidos então, nesses limites, Manoelito e João Lourinho, ambos estabelecidos no centro da cidade. O primeiro no térreo do prédio da União de Artistas, na Praça Vigário Antonio Joaquim, esquina da Travessa Martins de Vasconcelos, com nome de fantasia “O Manuelito”. O segundo ficava na Rua Antonio de Souza, trecho entre a Idalino de Oliveira e Vicente Saboia, identificado pela placa “Ceará Foto”. Como se observa, um e outro usaram motivos muito pessoais na escolha das respectivas marcas: Manuelito Pereira dos Santos Benigno Magalhães, usou seu primeiro nome; João homenageou seu estado de origem.

Interessante é que o Ceará Foto era mais associado àquelas fotografias destinadas a documentos, o impositivo 3 x 4 do título de eleitor, carteira profissional, certificado de reservista e do indispensável diploma de datilografia. Algumas dessas fotos exigiam ou sugeriam, para os homens, a circunspecção do paletó e gravata e para isso o estabelecimento dispunha desses itens da indumentária para a ocasião. A colocação dessas peças podia destoar completamente das vestes usadas da cintura para baixo pelo fotografado, o que não tinha a menor importância uma vez que resolvia o problema, considerado o fim proposto. Além desses retratos, formais e burocráticos, havia aqueles para ficar como lembrança, sobretudo de crianças, os postais feitos no modesto estúdio, em poses dirigidas pelo fotógrafo. Manuelito atendia as mesmas necessidades e opões dos clientes, mas era mais identificado que o concorrente com um trabalho que se pode até chamar de jornalístico ou histórico, registrando imagens de personalidades, figuras populares, acontecimentos como festas, inaugurações, etc, além de locais específicos, a exemplo de ruas, praças, prédios comerciais, escolas. Produzia, inclusive, imagens aéreas, mais difíceis de fazer naquele tempo. Foi também um especialista dos retratos das beldades mossoroenses de então. Havia mesmo certo deslumbramento ao apreciar esse trabalho em uma espécie de sala de exposição à entrada do prédio em que funcionava o estúdio, na Praça da Catedral. Esse material faz parte, hoje, de memoriais públicos e particulares.

Muitos fotógrafos vieram após. Os registros fotográficos se popularizaram com a disseminação dos equipamentos até a realidade atual das câmaras digitais. Manuelito e João Lourinho são, agora, a história.

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