CRÔNICA

VELHOS HOTÉIS DE MOSSORÓ

Mossoró tem uma situação geográfica particular que relaciona a cidade a viajantes. Meio do caminho entre duas capitais e centro econômico importante na convergência de número expressivo de municípios do Rio Grande do Norte, Ceará e Paraíba, espécie de intercessão comercial entre esses estados, no passado, no tempo da linha Mossoró-Souza, as conexões ferroviárias ainda a aproximavam de João Pessoa e Recife. Mesmo assim, levou um bom tempo para a cidade conhecer os hotéis estrelados. Até meados dos anos 1960 praticamente todos eram de pequeno porte.

Quando tudo que era estabelecimento comercial relevante ficava na região central, com os hotéis não era diferente. A maioria ficava mesmo nas proximidades do Mercado Central. O destaque era o Grande Hotel, de Antonio Amaral, na esquina da Praça da Independência com Av. Augusto Severo, o único disponível para hospedar visitante importante, fosse político, empresário ou artistas. Logo a sua direita, na Augusto Severo, o Hotel Brasil dava a opção mais em conta e não menos digna. O mesmo acontecia a poucos passos para a esquerda, na Rua Bezerra Mendes, onde o forasteiro encontrava o Hotel Caiçara, bem ao lado do mercado. Se por algum motivo nenhuma dessas três opções fosse viável, não precisaria andar muito para chegar à Praça Bento Praxedes endereço do Hotel dos Viajantes, um casarão antigo e enorme cujo terreno conformava todo lado sul da praça, com suas laterais dando para as ruas José de Alencar e Tiradentes, respectivamente. Depois de funcionar como hotel o imóvel sediou a primeira agência do INPS (Instituto Nacional da Previdência Social) em Mossoró. A esses se juntaria, mais ou menos por essa época, o icônico Hotel Caraúbas, no encontro da Dionísio Filgueira com Meira e Sá e o Braza Hotel, na Rua 30 de Setembro, adentrando a Praça da Redenção. Pode ser que houvesse mais um ou outro (Hotel Pax? Talvez, os registros não ajudam), mas esses respondiam por praticamente tudo que se tinha de opção, aqui, em matéria de hotelaria.

Foi quando o governo estadual, que no embalo de um programa para incrementar a modesta infraestrutura existente já fizera o Hotel dos Reis Magos em Natal, construiu em Mossoró o Esperança Palace Hotel, um avanço e tanto nesse ramo de negócios e o prédio mais moderno da cidade. No local funciona hoje a Câmara de Vereadores, e um conjunto de lojas.

Até então, quem visitava a cidade, a negócio ou por outro motivo, encontrava hospedagem à altura para a época, mas sem a sofisticação que credencia, hoje, esse tipo de estabelecimento às propaladas estrelas. Estrelas que eles teriam de sobra nas noites mossoroenses daquele tempo.

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