OPINIÃO

ESCOLA 30 DE SETEMBRO

(DEDICADO A TODOS OS EX-ALUNOS)

Os uniformes azul e branco em meio ao típico cenário de gente circulando a pé pelas ruas da cidade naquela época, não era só das normalistas. Estas, sem dúvida, eram a referência em relação ao clássico figurino que as distinguia em todo Brasil.  Em Mossoró, a mesma combinação de cores caracterizava o fardamento da Escola de Aplicação 30 de Setembro, conceituado estabelecimento escolar público que abrangia todo o então chamado curso primário, parte da estrutura oficial do ensino no país. Teria um caso influenciado o outro? É fato que as duas escolas eram muito relacionadas, peno menos no que respeita ao endereço. O 30 de Setembro funcionava no prédio da Escola Normal, na Rua Dionisio Filgueira, Centro da cidade, e quando o imóvel antigo foi demolido, ambas migraram para as instalações do Colégio Estadual. Mas outras escolas, como o Ginásio Sagrado Coração de Maria também adotavam (provavelmente ainda adotam) o mesmo padrão.

Na farda da 30 de Setembro, às calças e saias azuis encimados pelas camisas e blusas brancas juntava-se o detalhe da gravata. A gravata dava dignidade à farda, não apenas por si só, mas, também, pelas listras brancas que cruzavam o azul da peça, próximo a sua parte inferior que terminava em forma de seta apontando para baixo. O número de listras indicava o nível do aluno na sequência dos 5 anos que compreendiam o curso primário completo. Os que ostentavam as 5 listras na gravata já eram vistos com certa admiração em um contexto social em que a maioria da população era analfabeta ou semianalfabeta, se é que uma coisa difere da outra. Eram os alunos do 5º ano, que logo fariam o respeitado exame de admissão, porta para o ingresso no curso ginasial, a etapa seguinte do ensino médio naquele tempo.

.O uniforme, com sua gravata, ainda tinha o charme de parecer com aquele usado pelos comandantes da aviação. Gerações e gerações de mossoroenses que fizeram a vida da cidade nos diferentes ramos ou que migraram para perto ou para muito longe passaram pela escola, que tinha a característica de concentrar os alunos da classe pobre e da média, não só da cidade, mas das regiões das quais Mossoró era a referência.

Uma escola pública com quadro de professores, administração e servidores em geral de excelente formação e admirável nível de dedicação. O que não era visto com surpresa na época, porque predominava na sociedade o entendimento e a consciência sobre o que representava o trabalho de formação daqueles jovens, o orgulho de testemunhar o sucesso profissional, social e moral de um ex-aluno. Daquele que um dia passara por seus bancos escolares, pelos seus corredores, pelos seus livros, cadernos e segredos.

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