Minha Opinião

O efeito Benjamin Button na política de Mossoró

Acompanhando a posse da “nova” Câmara de Vereadores de Mossoró e da eleição da mesa diretora, me veio na lembrança o filme O curioso caso de Benjamin Button, que tem como protagonista o ator Brad Pitt. E o que existe de semelhança entre o filme citado e a eleição de mesa diretora da Câmara Municipal? Aparentemente nada.

Sou ouvinte assíduo das emissoras de rádios de Mossoró (AM e FM) acompanhando os programas de variedades e, principalmente aqueles cujos conteúdos retratam a política em geral, bem como sou leitor de sites e blogs da cidade.

Escuto atentamente os que comandam as bancadas, os comentaristas políticos, os entrevistados e, principalmente o(a)s ouvintes, que através de áudios enviados ou participação direta abrilhantam e dão vida e audiência às emissoras de rádio tão combalidas com o advento das redes sociais.

Escutava diariamente tanto de vereadore(a)s quanto de eleitor(a) ouvinte que a Câmara Municipal era “quintal”, “cozinha”, “alpendre”, até “puxadinho” do Palácio da Resistência e que os edis só aprovavam projetos “ordenados” pela então prefeita Rosalba Ciarlini, mostrando uma total subserviência a prefeita.

Apresentadore(a)s, comentaristas, entrevistado(a)s, ouvintes alardeavam que a Câmara deveria ser independente, ter autonomia frente ao Executivo, pois só assim teríamos uma verdadeira representação da sociedade. Pois bem, veio a campanha eleitoral de 2020 e o discurso de independência, autonomia e renovação ganhou as ruas, praças e redes sociais. Todo(a)s candidato(a)s da base da prefeita ou oposição eram árduo(a)s defensore(a)s da autonomia do Legislativo frente ao Executivo. O(a)s candidato(a)s ao Executivo também reafirmavam a necessidade de um Legislativo autônomo.

Sabe-se que todo(a) novo(a) inquilino(a) do Executivo busca de forma antecipada à posse costurar alianças para se ter uma base que garanta a governabilidade e isso passa também pela influência sobre a escolha da mesa diretora da Câmara, que deve ser dentro de sua base aliada, preferencialmente seu partido. Canal aberto com a mesa diretora representa passe livre para aprovação de seus projetos – de interesse ou não da maioria da população -, vetar projetos de opositores que conflitam com os interesses do Palácio – benéficos ou não para a maioria da população. Assim que se faz em qualquer lugar do Brasil, em Mossoró não poderia ser diferente.

O menino “Benjamin Button” que emplacou o discurso de renovação, do fazer diferente e do respeito a vontade popular, tratou imediatamente de por em prática a lição número um da política brasileira, não se faz nada de novo na política sem recorrer às velhas práticas, dai a escolha entre dois caminhos: Câmara autônoma/independente (nova prática) sem garantia de governabilidade ou Câmara sob controle (velha prática) com garantia de governabilidade?

Não precisa ser comentarista político para saber qual caminho o menino “Benjamin” escolheu. O menino nasceu velho, assim como Benjamin Button. Por mais legítima e legal que tenha sido a escolha da mesa diretora, foi um sinal de caduquice, o mesmo pelo mesmo. Fez o que Rosalba e tanto(a)s outro(a)s fizeram, ter o controle da “casa do povo”. Ter o presidente e o primeiro secretário da mesa diretora da Câmara já demonstra que entre o Palácio da Resistência e o Palácio Rodolfo Fernandes o diálogo será próximo e profícuo e que entre as duas nobrezas ocupantes dos palácios haverá uma solidariedade recíproca. Não estranhem se de vez em quando os membros das nobrezas se reunirem para um cafezinho na cozinha, no alpendre ou no puxadinho olhando para o frondoso quintal do Palácio Rodolfo Fernandes.

Comentários
Loading...