Entrevista

Conversa da Semana com Francisco Farias

O Portal do RN encerra as entrevistas do mês de outubro reforçando a luta contra o câncer de mama. Na Conversa da Semana deste sábado, 26/10, o entrevistado é o mastologista Francisco Farias da Costa Júnior. Graduado em Medicina pela Universidade Católica de Pelotas (RS), Francisco Farias é especialista em Ginecologia e Obstetrícia, em Mastologia e também em Mamografia. Credenciado pelo Hapvida, é também responsável pelo Serviço de Mamografia Clínica de Clínica Cedus Diagnosis, de Joinville (SC), Francisco Farias fala sobre o câncer de mama, abordando vários aspectos da doença, desde a importância do autoexame, passando pelos fatores de risco e meios de prevenção e tratamento. Acompanhe:

Por Márcio Alexandre

PORTAL DO RN – O Ministério da Saúde prevê que esse ano 800 novos casos de câncer de mama devem ser descobertos no Rio Grande do Norte. Quais são os fatos causadores dessa doença?

FRANCISCO FARIAS – No câncer de mama não existe um fator único e sim vários fatores, podemos iniciar com o fator genético, seguido por fatores imunológicos, hormonais, meio ambiente, hábitos de vida, alimentar, entre outros.

PRN – A incidência de câncer hoje em dia é maior que em décadas anteriores, ou apenas houve aumento nos meios de sua detecção?

FF – Acredita-se que com o aumento da população, houve um acréscimo da doença, mas os métodos de diagnósticos com aparelhos mais sofisticados fazem com que o diagnostico em fase inicial contribua para a prevenção e tratamento.

PRN – Há alguma relação entre o câncer de mama e os agrotóxicos presentes em alguns alimentos?

FF – Comprovou-se que substâncias químicas alteram o sistema endócrino, resultando no aumento da incidência de câncer de mama. Essas substâncias agem com “desreguladores endócrinos” e podem danificar diretamente um órgão, alterar a função ou interferir na produção, secreção e metabolismo.

PRN – O autoexame ainda é indicado como ato inicial de grande importância na detecção do câncer de mama?

FF –  A realização desse exame é recomendada para todas as mulheres maiores de 20 anos de idade. O autoexame é feito sete dias após o início da menstruação. Após a menopausa, deve-se escolher um dia por mês para fazê-lo. Cerca de 80% dos tumores de mama são descobertos pelas próprias mulheres.

O câncer de mama atinge principalmente mulheres em idade em torno da menopausa (entre 40 e 59 anos).

PRN – A partir de que situações e faixas etárias, exames como ultrassonografia e mamografia são indicados?

FF – A partir dos 40 anos de idade as mulheres devem realizar anualmente a mamografia, exame que permite a identificação de lesões não palpáveis. O câncer de mama atinge principalmente mulheres em idade em torno da menopausa (entre 40 e 59 anos). Essa indicação é orientada pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e o Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR). O INCA orienta que a realização da mamografia, entre a faixa etária de 50 e 69 anos, deve ser feita pelo menos uma mamografia a cada dois anos.

PRN – Com o advento da internet, sempre surgem informações sobre exames e tratamentos. Algumas delas, sobre eventuais problemas ao se fazer mamografia. O que é verdade e o que é mito em relação a esse tipo de exame?

FF  – A mamografia é um exame muito simples que consiste em um raio-X da mama e permite descobrir o câncer quando o tumor ainda é bem pequeno. O Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR), a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) divulgaram esclarecimentos em resposta à disseminação de informações falsas, em redes sociais, sobre exames de prevenção ao câncer de mama.

PRN – Como uma mulher que recebe um diagnóstico de câncer deve proceder? Como é o tratamento e as possibilidades de cura?

FF – O tratamento varia de acordo com o estadiamento da doença, suas características biológicas, bem como das condições da paciente (idade, status menopausa, comorbidades e preferências).

 

Notícias semelhantes